AmbScience

COP30: reflexões sobre a Conferência que reuniu líderes do mundo todo em novembro

A COP30, realizada em Belém em novembro, encerrou mais uma semana de intensos debates e negociações que mobilizaram lideranças de todo o mundo em torno de um desafio comum: responder, de forma concreta, aos impactos das mudanças climáticas. Embora cada edição da conferência traga expectativas altas, esta, em especial, carregava um peso simbólico e estratégico. Afinal, mais do que discutir metas, o foco estava em como transformar compromissos já assumidos em ação real.

Ministros e representantes de diversos países se reuniram para tentar fechar consensos em um processo que, dentro da ONU, exige concordância total entre as partes. Entre os temas centrais, destacaram-se a ampliação das metas climáticas (as NDCs), o financiamento climático para países em desenvolvimento e a definição da Meta Global de Adaptação (GGA). Esses pontos, apesar de cruciais, ainda caminham de forma lenta e enfrentam divergências que se refletem nos textos negociados até o momento.

O resumo das consultas divulgado pela presidência da COP trouxe à tona essa realidade: há uma valorização clara do multilateralismo e do Acordo de Paris, mas ainda faltam propostas mais concretas que apontem caminhos efetivos para zerar o desmatamento e acelerar a transição energética. Especialistas alertaram para esse “vazio” nos textos, reforçando que as discussões paralelas feitas em eventos e painéis precisam ganhar corpo dentro das salas de negociação. Sem isso, corre-se o risco de não haja avanços decisivos.

A expectativa, então, recai sobre a segunda e mais política semana da COP. É nesse momento que ministros de alto escalão entram em cena para destravar compromissos que as equipes técnicas não conseguem concluir sozinhas. E o Brasil tem assumido um papel de liderança nesse processo. Declarado pelo próprio governo, o objetivo é traçar mapas de ação que consolidem a transição energética e a eliminação do desmatamento ilegal, pontos considerados os grandes legados que o país pretende deixar nesta edição.

A adaptação climática, por sua vez, segue como um dos assuntos mais sensíveis da conferência. Embora um rascunho com 100 indicadores tenha sido finalizado, o tema ainda encontra forte resistência, especialmente de países africanos e árabes, que defendem mais tempo de análise técnica. Esse impasse tem potencial de arrastar a decisão para os próximos anos, o que preocupa organizações e especialistas que acompanham o processo.

Outro tema que permanece sem consenso é a transição justa fundamental para garantir que mudanças nos sistemas energéticos e produtivos não ampliem desigualdades. O texto também segue para discussão, sem sinais claros de avanço.

A COP30 deixa evidente que a urgência climática não permite retrocessos. Mas também lembra que, diante de tantos interesses e realidades distintas, chegar a consensos globais continua sendo um desafio enorme. Ainda assim, cada passo dado, mesmo os mais lentos, representa uma oportunidade de alinhar países e setores em direção a um futuro mais resiliente.

Para empresas brasileiras, acompanhar esses movimentos não é apenas recomendável: é estratégico. As decisões tomadas aqui moldam políticas, financiam projetos e definem prioridades que impactam diretamente o setor produtivo. Estar atento ao que emerge da COP30 é estar um passo à frente das transformações ambientais que já estão em curso.

COMPARTILHAR: Facebook - Twitter - Google+